A DESCOBERTA DE MAIS PINTURAS RUPESTRES “REFORÇA” O INTERESSE PELO PARQUE CULTURAL

Por: Pri Betelgeuse

Coordenadora da Divisão de Arqueoastronomia da A.A.P.

Uma equipe de especialistas descobre doze novos abrigos, de muito difícil acesso, com arte pré-histórica. Uma das pinturas encontradas pela equipe liderada por Paloma Lanau. ALEX PUYO

A localização de doze novos abrigos com pinturas rupestres de arte esquemática em áreas de difícil acesso em Tozal de Mallata e um de arte levantina em Fornocal aumenta o interesse pelo Parque Cultural Río Vero, que comemora 20 anos desde a declaração oficial deste território em 2001 por iniciativa do Governo de Aragão. É o que dizem especialistas e especialistas em arte rupestre, que concordam que esta descoberta "reforça" e "enriquece" o interesse de Tozal de Mallata, como aponta Paloma Lanau, a arqueóloga que dirigiu a prospecção, e Nieves Juste, gerente do Parque Cultural Rio Vero.


A descoberta foi divulgada no IV Congresso de Arqueologia e Patrimônio Aragonês, realizado na Biblioteca María Moliner, em Zaragoza, e dedicado a Pilar Utrilla, professora emérita de Pré-História da Universidade de Zaragoza, que conhece muito bem a arte rupestre do Parque. Cultural desde o início com Vicente Baldellou (falecido) com quem trabalhou.


Paloma Lanau acessa um dos abrigos com pinturas. ALEX PUYO

As pinturas localizadas no município de Colungo devem-se à tenacidade e trabalho da equipa formada por Paloma Lanau, arqueóloga e doutora em arte esquemática pré-histórica; Manuel Bea, professor da Universidade de Saragoça, doutor em Pré-história e especialista em arte rupestre; o espeleólogo Mario Gisbert e o graduado em História e alpinista Álex Puyó. E é que, os abrigos onde as pinturas foram encontradas são de muito difícil acesso e para alcançá-los foi necessário escalar e usar cordas para garantir.

Os trabalhos de prospecção, iniciados após a obtenção da devida autorização da Direcção-Geral do Património do Governo Aragonês, decorreram durante o último ano.

Paloma Lanau destaca a riqueza dos abrigos com arte rupestre na região do Rio Vero e relembra o trabalho realizado que deu visibilidade às pinturas. “Percebemos que muitos abrigos que são bastante inacessíveis não foram visitados porque não se pode chegar a pé, mas é preciso colocar cordas ou colocar corrimãos”, diz Paloma Lanau.


O especialista afirma que a importância das pinturas varia de uma para outra: "Alguns apresentam motivos bem definidos e outros são simples manchas e traços, que também contamos e estudamos". Acrescenta que para além das pinturas encontraram “restos de arnales (para recolha de mel) e baldes cavados no chão dos abrigos, que nos dizem que são locais de acesso bastante difícil, mas que em diferentes momentos da história foram usados, não sabemos exatamente com qual funcionalidade”. No entanto, são abrigos “impróprios” para habitar, tanto pela grande dificuldade em alcançá-los, como pelo seu pequeno tamanho ou pelo fato de alguns terem pisos inclinados “e nenhum sedimento é preservado no piso”.


Lanau adianta que na chamada Cueva de La Mezquita (localizada em Tozal de Mallata) “encontramos mais pinturas, cerâmicas pré-históricas e alguma pequena estrutura, cuja funcionalidade desconhecemos neste momento”.


Tanto Paloma Lanau quanto Nieves Juste relembram o trabalho e as pesquisas realizadas há muito tempo. A esse respeito, Juste destaca que “as pesquisas e os trabalhos nunca pararam e continuarão porque mais surpresas podem surgir, e uma boa prova são os resultados da pesquisa fornecida por Paloma Lanau e sua equipe”. Da mesma opinião é a arqueóloga que dirigiu esta última investigação, que diz que “sem dúvida” há mais pinturas para descobrir, algo que considera “esperançoso”.

EM SESSENTA ABRIGOS


Até agora, foram realizadas investigações em 60 abrigos naturais. “Os resultados mais recentes enriquecem o Parque com este conjunto porque é muito importante e tem mais intensidade do que o esperado. A concentração de pinturas proporciona motivos diferenciados e um território muito acidentado e de muito difícil acesso. Os resultados são conhecidos neste Congresso, mas as tarefas anteriores levam anos de trabalho e exigem muita perseverança. São abrigos onde cabem uma ou duas pessoas e não ficam de pé, mas trazem novidades”, destaca Nieves Juste.


Ao mesmo tempo, indica que “o uso de novas tecnologias favorece muito o trabalho de pesquisa na área do Parque Cultural, mas pode haver outros espaços. Vicente Baldellou, que descobriu as primeiras pinturas, disse-me que na arqueologia sempre haverá surpresas e o tempo deu-lhe razão”. Relativamente ao conjunto localizado, sublinha que "a concentração é muito importante, a maioria são arte esquemática e agora o Governo de Aragão vai tomar as decisões porque são da sua competência".


Na mesma linha, “acho que é um grande achado em um casal único e inacessível. A pesquisa não para, leva tempo e o interesse pelo Parque Cultural vai aumentando”.


Por sua vez, o presidente do Conselho de Curadores do Parque Cultural Río Vero, Mariano Altemir, recorda “os primórdios de Vicente Baldellou, que foi uma figura relevante pela preocupação que teve e pelo interesse que despertou entre bons colaboradores como como Pilar Utrilla que dedicou sua vida à pesquisa. No espaço dedicado a Baldellou, em Alquézar, “partilhava as suas preocupações com a família”. O autarca de Alquézar defende ainda que o Parque "proporciona riqueza, cultura e interesse que se somam às culturas que habitavam o ambiente natural do Rio Vero"

Na localidade de Colungo, onde se encontra o Centro de Interpretação de Arte Rupestre e em cujo município se encontram os abrigos mais importantes, incluindo a Cueva Fuente del Trucho (Paleolítico Superior), o prefeito Fernando Abadía partilha a sua satisfação com esta prestigiosa descoberta que aumenta o interesse pela a área.


GRANDE ATRAÇÃO COM MILHARES DE VISITANTES

Quinze cidades dos condados de Somontano e Sobrarbe fazem parte do Parque Cultural Río Vero, uma área natural protegida que contém uma das mais importantes coleções de arte rupestre da Espanha, declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e que faz parte da União Europeia Rota dos Caminhos da Arte Rupestre Pré-histórica. É gerido por um conselho directivo e o mecenato é presidido por Mariano Altemir, autarca de Alquézar, que salienta que "este achado marca a comemoração dos 20 anos do Parque Cultural, que está entre os importantes bens do território graças à arte rupestre que gera muitas atividades e atrai milhares de visitantes.


A NOTÍCIA ATUALIZADA EM 12/12/2021 ÀS 07:00 POR ÁNGEL HUGUET/M. J.LACASTA


Fonte: Diario Del Alto Aragón - Arqueología


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