ALGUNS CONSELHOS NA "CAÇA" AOS OBJETOS DO CATÁLOGO JATOBÁ

Atualizado: 17 de mai. de 2021

Por: Audemário Prazeres

Presidente Fundador da A.A,P.


Primeiramente, perca o seu ego. Pois, a Astronomia ensina paciência e humildade onde é melhor você estar preparado para esse importante aprendizado como gente... caça". Mas, nem sempre o comportamento meteorológico, e da própria localidade onde estamos para a realização das observações nos é favorecida sem a interferência seja de prédios ou árvores, ou da "famosa" Poluição Luminosa, e Atmosférica. Então, tenha calma, e entenda que os objetos do céu profundo possuem magnitudes fracas em relação à outros astros, e que alguns parecem uma "manchinha pálida gasosa". Se você ignora esses fatos, e quer ver objetos do céu profundo brilhantes de forma fácil de achar, recomendo ficar comodamente diante a tela do computador, e ficar plotando imagens dos objetos do céu profundo pela WEB onde a esmagadora maioria do que se mostra na Internet são imagens artificiais com coloração e contrastes não vistos na ocular dos telescópios. Embora vale aqui destacar que esse tipo de observação cômoda não tem valor científico, e muito menos observacional para receber as certificações de reconhecimento observacional da Associação Astronômica de Pernambuco – A.A.P.



Então, tenha em mente que o Universo não se curvará diante seus desejos mesmo você tendo um bom instrumento onde imagina poder ver tudo. Entretanto, é bem verdade que uma boa parte dos objetos do céu profundo podem ser vistos com instrumentos de médio, e pequeno porte. Inclusive, os binóculos são muito bem utilizados nas observações dos objetos do céu profundo, e com a comodidade em vermos com os dois olhos ao mesmo tempo, e termos um bom campo angular que facilita na nossa”.



O maior segredo na "caçar" dos objetos do céu profundo, e ter o espirito relaxado, e encarar essa ação no lado do entretenimento saudável da curiosidade. Então, não se deixe envolver pelo seu ego em querer de todo jeito ter imagens de suas observações em "lives" ao vivo nas suas Redes Sociais, ou, em ficar chateado (a) reclamando que o seu instrumento é ruim, ou se lamentando por não ter um melhor. Lembre-se que Galileu, aclamado como o "Pai da Astronomia Moderna", tinha em sua primeira luneta um simples aumento de 8 X (vezes), e na versão posterior após melhorá-la, essa luneta aumentava modestamente 20 X (vezes). E um detalhe: Ambas tinham uma gigantesca aberração cromática em suas lentes, e mesmo assim, Galileu revolucionou a Astronomia. Mas, o que fez Galileu em seu tempo ser tão importante para a Astronomia? - A resposta foi o "espirito da curiosidade", e não o da soberba em querer descobrir outras civilizações, adentrar em um outras dimensões cósmicas, ou querer ver Plutão estando no fundo do seu quintal. Tenha em mente que você tá fazendo uso de observações de astros dispostos em distâncias com grandes Anos-Luz de nós, e enquadrados no que nós da Astronomia denominamos pertencerem ao "Céu Profundo". Então, tenha calma, paciência e muita concentração, e ao mesmo tempo, vá incorporando a oportunidade do aprimoramento de suas habilidades observacionais ao qual é a essência maior da Divisão dos Objetos do Céu Profundo da A.A.P., torna-lo (a) "Astrônomo (a) Observacional Sistemático". Entre na DIVISÃO DOS OBJETOS DO CÉU PROFUNDO, e faça parte de um projeto inovador que é a “caça” aos objetos do céu profundo visto no nosso hemisfério Sul, com o CATÁLOGO JATOBÁ.


​Por outro lado, antes de observar alguns objetos do céu profundo, tenha um prévio planejamento bem básico, e um estude um método ao qual seja possível a sua prática observacional. Não esqueça de acompanhar o andamento das fases da Lua com o seu horário ao nascer, e do seu ocaso. Pois, ela pode ser a sua real inimiga com a intensidade de brilho irradiada na nossa atmosfera dificultando a observação de alguns objetos do céu profundo. Se possível, faça uma lista daqueles objetos do céu profundo que possuem uma boa magnitude visual. Como também, identifique antes das práticas de "caça" como eles se mostram em localização dos seus "vizinhos" na Abobada Celeste olhando nas Cartas Celestes, ou programas como o Stellarium. E lembre-se, olhe de forma macro o Firmamento, sem fazer uso dos instrumentos, e só depois, faça uso dos mesmos. Se ambiente com o local em que se encontra, e a faixa do céu em que vai se dedicar durante essa "caça" ("seja sistemático"). Isso é importante uma vez o que olhamos no campo das oculares nos mostra um outro arranjo de estrelas onde jamais correspondem aos arranjos das 88 constelações catalogada que vemos a olho nu.

Estando com esses detalhes iniciais devidamente previsto em seu "observatório" (cantinho observacional), tenha em mente mais outros detalhes importantes tipo providenciar um lanche rápido tipo um sanduíche acompanhado de bebidas quentes tipo: café, chocolate ou chá. Evite alimentos onde necessite você mastigar demoradamente para ingerir. Bem como, aqueles que deixam seus dedos gordurosos, ou sujos onde fatalmente o instrumento vai ser impactado com sujeira durante o seu manuseio. É bom eu aqui ressaltar que evitem o ato de mascar chicletes durante as suas observações. Pois, esse ato faz com que sua mandíbula fique em constante movimento alterando a sua condição observacional principalmente nos instantes em que for "caçar" os objetos do céu profundo possuidores de magnitude não muito brilhantes. Também vejo como dica importante fazer uso de uma gravação de voz durante seus momentos observacionais, nesses registros você pode comentar como se mostra a transparência do céu, como se mostra o comportamento de intensidades de nuvens descrevendo de forma geral a velocidade dos ventos que a fazem abrir as "janelas observacionais" (esse registro de velocidade pode até observar o movimento das folhagens de determinadas árvores em volta que se torna uma referência interessante). Além, é claro de narrar de forma comparativa o brilho dos objetos do céu profundo com algumas estrelas. Essa gravação tem a característica de um "diário” onde após esse momento de trabalho, calmamente você escuta, e faz uso de um resumo para ser colocado no campo obrigatório de preenchimento na ficha de registro da Divisão dos Objetos do Céu Profundo da A.A.P., denominado "Notas". Outra observação importantíssima, é você não esquecer de fazer uso dos repelentes contra insetos, e fazer uso de roupas nas quais lhe agasalhe bem para enfrentar as inesperadas rajadas de vento que surgem durante as noites, e umidade do sereno por estarmos literalmente em "céu aberto".


​ Aconselho também, fazerem uso de mapas celestes impressos dispostos em uma prancheta onde até se pode fazer algumas anotações rápidas de rodapé se necessário. Essa prática não se trata de uma nostalgia observacional, e sim, evitar o uso de telas brilhantes dos aparelhos como celulares ou tabletes. Por outro lado, se forem fazer uso dessas tecnologias, cliquem na opção de "visão noturna" uma vez sua pupila se ver melhor adaptada ao momento escuro de observação. Assim, evite ao máximo a "famosa" luz branca acesa sem necessidade tipo você fazer a leitura de uma mensagem recebida dos seus aplicativos de comunicação, ou inventar de tirar uma "selfie" com o uso do flash da máquina uma vez isso altera bastante a sua sensibilidade de resolução visual. Uma outra informação, se for fazer uso da leitura das Cartas Celestes impressas, coloque um pedacinho de celofane vermelho na frente de uma lanterna uma vez a luminosidade vermelha não modifica tanto a resolução durante a nossa ação de observação.


Não se esqueça de listar previamente os objetos do céu profundo que se mostram descritos com boa magnitude visual tipo aqueles identificados com magnitudes: m.4; m.5; m.6, e m.7. Aproveite, e liste ao lado o nome das constelações nos quais eles se mostram dispostos, e vá plotando em constelação e constelação "caçando" os objetos do céu profundo. Uma dica na qual a experiência vai lhe ser natural surgir, é identificar as magnitudes intermediárias das estrelas nessas constelações onde basta olhar nas Cartas Celestes a sequência da mais brilhante para a de menor magnitude onde os símbolos das letras grega ao lado das estrelas é interessante memorizar. Pois, as estrelas mais brilhantes de cada constelação têm (além de outras classificações), a correspondência da intensidade do seu brilho mediante a sequência dos símbolos das primeiras letras do alfabeto grego. Por exemplo: Alfa (α), Beta (β), Gama (γ), Delta (δ), Épsilon (ε), Zeta (ζ), Etá (η). Então, identificar as grandezas dessas estrelas principais, ou intermediárias, e fracas nas constelações é muito importante para estimarmos as magnitudes aparentes de determinados objetos do céu profundo que estamos observando. Esse método nós chamamos na Astronomia observacional de "Pular Estrelas".

Boas observações pessoal, e um abração "aapeano" !!!

Audemário Prazeres

Presidente Fundador da Associação Astronômica de Pernambuco – A.A.P.

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