Arqueoastronomia no Brasil


Veja uma das principais constelações de nossos indígenas e sua relação com o cômputo do tempo.


Quando a constelação do Homem Velho (Tuya, em guarani) surge totalmente ao anoitecer, no lado leste, na segunda quinzena de dezembro, é um indicativo de que o verão se inicia para os índios do sul do Brasil e começa a estação chuvosa para os do norte. É assim denominada, segundo D’Abbeville, por ser semelhante a um homem velho segurando um bastão. É constituída pelas constelações ocidentais Taurus e Orion. Ela contém três outras constelações indígenas, cujos nomes em guarani são: Eixu (Vespeiro, as Plêiades), Tapi’i rainhykã (queixada da anta, as Hyades, incluindo Aldebarã) e Joykexo (o cinturão de Orion).


Eixu significava ninho de abelhas (guarani), vespeiro (tupinambá), e marcava o início do ano quando surge pela primeira vez no lado oeste, antes do nascer do sol (nascer helíaco das Plêiades), na primeira quinzena de junho. Quando elas apareciam era um indicativo seguro de que as chuvas iriam chegar, como efetivamente chegavam, poucos dias após. Como Eixu aparecia poucos dias antes das chuvas e desaparecia no fim desta temporada, os indígenas reconheciam perfeitamente o intervalo de tempo decorrido de um ano a outro.


Tapi’i rainhykã, a queixada da anta, prenunciava a chegada das chuvas para os tupinambás. Joykexo, que representava uma linda mulher, símbolo da fertilidade, servia como orientação geográfica, pois nasce no leste e se põe no oeste. Também representava o caminho dos mortos.


A constelação da Anta do Norte é conhecida principalmente pelas etnias indígenas habitantes do norte do Brasil, pois para as etnias da região sul ela permanece próxima da linha do horizonte. Ela surge na segunda quinzena de setembro ao anoitecer, no lado leste, indicando uma estação entre frio e calor para os índios do sul do país e entre a seca e a chuva para os do norte. Fica na região do céu limitada pelas constelações ocidentais Cygnus e Cassiopeia, sendo também formada por estrelas da constelação de Lacerta (Lagarta), Cepheus e Andrômeda.


A constelação do Veado é principalmente conhecida pelos indígenas do sul do país, pois ao norte permanece próxima à linha do horizonte. Quando surge na segunda semana de março, ao anoitecer, do lado leste, indica uma transição entre o calor e o frio para os índios do sul do Brasil e entre a chuva e a seca para os do norte. Fica na região do céu limitada pelas constelações Vela e Crux, empregando ainda em sua formação estrelas da constelação Carina e Centaurus.


Fonte: Marista


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