CRATERAS LUNARES NOMEADAS

Por: Eminho Giglioti

Coordenador da Divisão Lunar da A.A.P.

Ao longo de muitos anos vários nomes se destacaram pela importância na ciência trazendo benefícios à humanidade, desta forma vários deles foram eternizados e homenageados tendo seus nomes dados as crateras lunar que por sua vez tem suma importância na área científica, dentre esses nomes alguns em destaque que mostraremos agora, e o mais importante é que entre todos os nomes e personalidades, dois brasileiros foram lembrados por suas descobertas, pesquisas, invenções e que contribuíram de certa forma na evolução tecnológica e científica, mas também temos as mulheres, que não poderiam deixar de serem citadas e que são tão pouco lembradas no dia a dia, mas vamos trazer um pouco dessas pessoas que fizeram história.

Alberto Santos Dumont (1873 - 1932)

Foi um inventor brasileiro pioneiro da aviação mundial, chamado assim por "Pai da Aviação" foi reconhecido como herói nacional que construiu e voou pela primeira vez na história com uma aeronave própria e com asas fixas, batizada de 14 bis ( também conhecida como Oiseau de Proie - ave de rapina), seu primeiro vôo ocorreu em 12 de novembro de 1906 em Paris, França.

Santos Dumont é uma pequena cratera de impacto de morfologia simples que se localiza às margens leste do Mare Imbrium, mais especificamente nas montanhas Promontorium Fresnel em meio aos montes Apenninus.

Em 1976, a International Astronomical Union (IAU) definiu o nome de Santos Dumont para esta pequena cratera de impacto em memória ao grande pai da aviação para imortalizar o inventor brasileiro que deu asas à humanidade.


ABRAHÃO DE MORAES (1917 - 1970)

Foi diretor do IAG-USP (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas - Universidade de São Paulo) de 1955 a 1970.

Nascido em Itapecerica da Serra SP, em 17 de novembro de 1917, filho de José Elias e Guilhermina Pires de Moraes.

Foi um dos primeiros alunos da recém criada faculdade de filosofia, ciências e letras da Universidade de São Paulo, para onde se transferiu após dois anos na escola politécnica e onde se graduou em física em 1938 aos 21 anos de idade.

Sempre interessado por astronomia, juntou -se ao Prof° Aristóteles Orsini e outros em 1949 fundando a Associação de Amadores de Astronomia de São Paulo, da qual foi por várias vezes diretor. Foi convidado para escrever o capítulo "A Astronomia no Brasil", do livro "As Ciências do Brasil", de Fernando de Azevedo, publicado em 1955.

Moraes faleceu em São Paulo no dia 11 de dezembro de 1970, da sua luta incansável resultou a transformação do IAG em unidade de ensino e pesquisa da USP.

Em vida recebeu diversas homenagens por sua atuação pelo desenvolvimento da astronomia e das ciências espaciais no Brasil: "As Palmes Academiques" da França, o diploma da National Science Fundation dos EUA e a Ordem do Mérito Aeronáutico no Brasil, membro titular da Academia Brasileira de Ciências.

Sua memória foi homenageada pela International Astronomical Union (IAU), em 1979, que nominou oficialmente uma cratera de impacto na Lua com seu nome: De Moraes. A cratera tem 54,5 km de diâmetro por 4 km de profundidade e é uma cratera de impacto de morfologia complexa, localizada nas terras altas da região norte da face oculta da Lua.


TYCHO BRAHE (1546 - 1601)

Foi um astrônomo observacional da era que se precedeu a invenção do telescópio, e suas observações da posição das estrelas e dos planetas alcançaram uma precisão sem paralelo para época. Após sua morte, os seus registros dos movimentos de Marte permitiram a Johannes Kepler descobrir as leis dos movimentos dos planetas, que deram suporte a teoria heliocêntrica de Copérnico.

Tycho não defendia o sistema Copérnico, mas propôs um sistema em que os planetas giram ao redor do Sol e este orbita em torno da Terra.

Em 1599, por discordar do novo rei do seu país, mudou-se para Praga e construiu um novo observatório, onde trabalhou até morrer em 1601.

Tycho era dinamarquês, foi astrônomo, autobiográfico, poeta, astrólogo, alquimista e suas obras destacam-se com as "Rudolphine Tables, Sistema Tychonico e de Nova Stella".

Frequentou a Universidade de Copenhague e Leipzig, fez sua primeira observação de uma conjunção entre Júpiter e Saturno, descobriu uma nova estrela, publicou uma obra chamada (De Nova Stella) ou "Sobre a Nova Estrela", o que abalou a fé na doutrina cristã-aristotélica, observou a passagem de um cometa e o papa Gregório XIII reforma o calendário corrigido em 10 dias com base nos cálculos de Tycho e assim também Kepler torna-se seu assistente.

Em 24 de outubro morre Tycho Brahe em Praga, a cratera que levará seu nome situa-se nas colinas do polo Sul e é relativamente jovem, tem em média 108 milhões de anos e está no lado visível da Lua e pode ser o ser observada com um simples equipamento óptico, possui um diâmetro de 86,2 km é o batismo foi dado por Giovanni Riccioli, um astrônomo Jesuíta cujo o sistema de nomenclatura torne-se padrão desde então, outros diferentes no.es foram dados à esta cratera de Tycho anteriormente, um deles bem curioso por sinal é "Umbilicus Lunaris", ou Umbigo da Lua, por Pierre Gassendi, mas Tycho é a que prevalece até hoje e é um verdadeiro espetáculo lunar para os observadores.


NICOLAU COPÉRNICO (1473 - 1543)

Foi um astrônomo e matemático polonês que descobriu a teoria heliocêntrica do sistema solar, foi também cónego da igreja católica, governador e administrador, jurista e médico.

Sua teoria do heliocentrismo que colocou o Sol no centro do sistema solar contrariou a então vigente teoria geocêntrica ( Que considerava a Terra como centro), e é considerada como uma das mais importantes hipóteses científicas de todos os tempos tendo constituído o ponto de partida da astronomia.

Nascido em 19 de Fevereiro de 1473 em Torun, Prússia Real no Reino Polonês, residiu em Torun, Frombork, foi astrônomo matemático, ingressou na Universidade de Cracóvia e estudou direito na Universidade de Bolonha.

Registrou pela primeira vez a ocultação da estrela Aldebarã, viajou para Roma onde recebeu seu diploma em direito canônico, em Ferrara teve uma vida super agitada e corrida por vários acontecimentos ao longo dos anos até sua morte em 24 de Maio de 1543, em Frauenburg, onde seria publicada sua obra da " Revolução da Esfera Celeste".

Copérnico é uma grande cratera de impacto, com 93 km de diâmetro e 3,8 km de profundidade, situada na região chamada de Oceanus Procellarum, e tem estimados 800 milhões de anos.

Visível através de um simples equipamento óptico aqui da Terra, ela está localizada a nordeste do centro do hemisfério da face visível da Lua.

No início dos anos 70 a Nasa escolheu a cratera Copérnico como um possível local de pouso da missão Apollo 20, que levariam os astronautas " Stuart Roosa, Jack Lousma e Don Lind ", e esta seria a última missão tripulada para a Lua segundo o cronograma original da agência espacial americana, mas as missões seguiram até a 17 pondo fim as missões tripuladas.


AS CRATERA FEMININAS

Milhares de crateras lunares são homenageadas com nomes de cientistas, matemáticos, filósofos, astrônomos e etc.., mas algumas também merecem destaques por se tratarem de personalidades femininas, que fizeram nome na história e contribuíram para ciência de modo geral, alguns nomes acima que fizeram parte da história científica, engenharia, matemática entre vários outros, tivemos brasileiros que se destacaram pelo seu legado deixado na área da ciência e tecnologia, engenharia aeronáutica e etc, mas agora vamos dar um destaque à alguns nomes que também fazem parte da história e têm seus nomes registrados na Lua, mas com que frequência ouvimos seus nomes?

Todas as vezes que olhamos para a Lua devemos lembrar que só no lado visível existem aproximadamente 300.000 crateras com diâmetro acima de 1 km e que de tantas e tantas crateras, apenas 2% delas levam nomes femininos, ou seja, cosmonauta, matemática, física e outras personalidades da área científica.


VALENTINA V. TERESHKOVA

Nascida em 1937 em Bolshoye, na Rússia, ela foi a primeira mulher a voar ao espaço no dia 16 de junho de 1963, na nave Vostok 6.

Prestou seus serviços de 1962 a 1997, é deputada federal desde 2011, foi paraquedista, engenheira, pilota, cosmonauta e política, sua graduação militar é Major-General, ficou por 2 dias , 22 horas e 50 minutos em órbita no espaço e recebeu prêmios de Heroína da União Soviética, Ordem de Lenin entre outros.

Sua cratera é uma das raríssimas que foram nominadas pela (IAU), em 1970 para uma personalidade em vida, a cratera possui dimensões de 31 km de diâmetro e 3,85 km de profundidade. Mas além de TERESHKOVA, temos dezenas de outras personalidades que também estão com seus nomes registrados na Lua e você pode conferir abaixo a ilustração, lembrando que para classificação em números ( lado visível), para classificação em letras (lado oculto).

Mulheres que marcaram época, que fizeram história e têm seus nomes eternizados em um corpo celeste como um marco na sua trajetória de vida e dedicação, boa parte dela à ciência, proporcionando o desenvolvimento para um futuro mais promissor, assim como os grandes nomes de homens que também se destacaram ao longo de séculos, provando que nosso universo não é um simples aglomerado de estrelas orbitando uma Terra e sim algo mais complexo que ao longo dos anos mostrou que somos um pequeno ponto pálido azul no universo e que não somos o centro de tudo.

Nomes que até hoje são ícones e merecem nosso reconhecimento, parabéns à todos vocês que nos abriram os olhos para o futuro e nos levarão além, cada vez mais longe nesta imensidão do nosso universo.



Eminho Giglioti

astroideias.com


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