POR QUAL MOTIVO A A.A.P. VEM SE DEDICANDO AO CATÁLOGO JATOBÁ?


“Os prazeres da astronomia amadora são profundamente pessoais. A sensação de estar sozinho no universo em uma noite estrelada, navegando em asas de vidro polido, voando em segundos de um ponto a milhões de quilômetros a um milhão de parsecs de distância ... é eufórico.”

(astrônomo americano, e observador dos Objetos do Céu Profundo,

James Mullaney)


Em 2009, foi publicado um artigo de minha autoria na revista “Comciência” da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), intitulado: “Arqueoastronomia: o canibalismo do indígena brasileiro associado à astronomia” (http://comciencia.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1519-76542009000800011&lng=en&nrm=iso&tlng=pt), e fiz citar o seguinte:


A riqueza de conhecimentos astronômicos associados à cultura dos nossos povos indígenas é absolutamente fantástica. É bem verdade que essa gama de cultura associada aos astros é encarada, nos tempos atuais, como algo lúdico, folclórico, místico, entre outros conceitos. Mas temos que levar em conta as circunstâncias do saber científico daquela época e a própria cultura de algumas etnias”.


Dessa forma, constatamos que a herança cultural dos antigos povos indígenas, como outros povos do mundo em relação ao Firmamento acabam tendo um reconhecimento de sua origem, e arranjo disposto na Abobada Celeste de maneira muito singular. Essa particularidade é muito importante para aqueles que buscam nas observações astronômicas de contemplação, ou sistemática através de uma metodologia cientifica um nível de praticar uma Astronomia de maneira pura diante décadas, ou até centenas de anos com a engessada visão eurocentrada greco-romana de identificação dos objetos do céu profundo, e suas constelações.



Quando pensamos em resgatar o Catálogo Jatobá, não foi apenas no sentido de desvencilharmos da visão engessada eurocentrada vista nos catálogos Messier e NGC por exemplo. Bem como, não se tratou de um nacionalismo em prestigiar um catálogo dos objetos do céu profundo de natureza nacional. Na verdade, quando em 1922, a União Internacional de Astronomia (IUAA) fixou definitivamente as constelações em um acordo internacional, e isso depois das aduções de Johan Bayer em 1603, de Hevélius no fim do século 17, e ainda as de Lacaille em 1752, que fixou em um total de 88 constelações, sendo 40 no hemisfério norte e 48 no hemisfério sul. Com isso, temos o privilégio de observarmos uma maior “fatia” do Firmamento, em especial aqueles dispostos com declinações boreais, ou astrais. Afinal, observamos determinados astros não apenas de acordo com a data e a hora em que fazermos a observação, e sim, de acordo com a Latitude do local em que observamos. Por exemplo: Se pegarmos a linha do meridiano celeste que passa por cima da cidade de Bezerros (cidade de Pernambuco onde se encontra a A.A.P.), essa linha vai do Polo Sul ao Polo Norte, e cruza o Equador a 8° do Zênite (latitude de Bezerros). Com isso, em Bezerros a parte visível do Hemisfério Norte é: 90° - 8° = 82° Também em Bezerros, a parte visível do Hemisfério Sul é: 90° + 8° = 98° - Perceberam a grande VANTAGEM de contemplarmos o Catálogo Jatobá ao invés de outros catálogos “eurocentristas”?



Assim sendo, não foi ao acaso que lançamos o resgate ao Catálogo Jatobá neste mês de Abril quando lançamos as novas configurações do Site da A.A.P. Saibam que o mês de Abril é um verdadeiro portal de retorno a escuridão do céu. Isso mesmo, a estação do Outono é uma das melhores estações no Brasil para observações astronômicas, em especial no Norte e Nordeste onde as noites se mostram mais "ESCURAS", os astros se mostram mais contrastantes, e a temperatura das noites mais amenas com ações dos ventos mais moderados. Isso significa na prática, noites mais longas, janelas entre nuvens mais amplas, e um céu majestoso de transparente para as nossas observações dos objetos do céu profundo, em especial os do Catálogo Jatobá.


Durante o mês de abril, teremos um fato interessante que é a disposição de diversos objetos de forma muito favorável para vários observadores dispostos em Latitudes diferentes, em especial para aqueles situados em Latitudes maiores durante essa estação de Outono. É justamente no mês de abril, que podemos observar alguns objetos do céu profundo bem típicos das estações do Verão e do Inverno. Por exemplo, às 21 horas (latitude onde a A.A.P. se encontra), temos nascendo ao Leste o fantástico aglomerado globular na constelação de Hércules (NGC 6805) que tem a identificação Jatobá de “J-82”, onde no outro extremo, se pondo no Oeste um outro aglomerado, sendo este aberto, (NGC 2287) que tem a identificação Jatobá “J-26”, na constelação de Canis Major, ao lado da brilhante estrela Sirius.


Entendeu agora os motivos nos quais estamos resgatando e valorizando os objetos do céu profundo do CATALOGO JATOBÁ?? - Então, vamos juntos estarmos “eufóricos” como sabiamente disse o astrônomo James Mullaney ao descrever a sensação de prazerosa de observação dos objetos do céu profundo, sendo eles vistos no nosso hemisfério. Acessem o tutorial passo a passo de como iniciar as suas observações do Catálogo Jatobá, e havendo dúvidas, não deixe de nos perguntar. Pois, estamos aqui para orientar, e motivar o seu desenvolvimento na Astronomia com observações que prestigiam o nosso hemisfério que é detentor de mais constelações das 88 delineadas.


Um abraço, e vamos “plantar” nas nossas oculares os Jatobás !!!


Audemário Prazeres

Presidente-Fundador da A.A.P., em 1985

Coordenador da Divisão dos Objetos do Céu Profundo

Coordenador da Divisão de Radioastronomia

Coordenador da Divisão Lunar




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