RADIOASTRONOMIA, UMA MISTERIOSA QUE ENCANTA...

Atualizado: 29 de abr. de 2021


Por: Audemário Prazeres

Presidente Fundador da A.A.P.

Membro do programa The INSPIRE Project da NASA

Coordenador da Divisão de Radioastronomia

Coordenador da Divisão Lunar

A Astronomia nasceu há milhares de anos, numa época que nos deixou poucos testemunhos. As estrelas sempre fascinaram os homens, o que se explica por que essa Ciência tão vasta, da que jamais será totalmente desvendada, progrediu tão rapidamente através dos milênios. Tudo no Universo é imenso demais e distante demais para que possamos segurá-lo, batizá-lo, compreendê-lo verdadeiramente. Formos aqui na Lua, nos próximos anos à Marte, e em um dos satélites de Júpiter. Mas isso é muito para nós, e nada diante o Universo. Durante toda existência da humanidade, sempre direcionamos o sentido do olhar diante o Universo. Porém, no começo dos anos 30 do Século passado, é que começamos a entender que o Universo nos envia diversos tipos de “áudios” nos quais denominamos de Radioastronomia.

Com o advento da WEB, muitos que aqui fazem a leitura desse texto já ouviu falar da Radioastronomia. Porém, é bom destacarmos que esse recente segmento da Astronomia é uma ciência que estuda o comportamento físico dos astros pelas radiações de rádio (eletromagnéticas) que estes transmitem.

Para se ter uma rápida noção, por segundo 1 trilhão de partículas cósmicas chegam na nossa atmosfera com 1 bilhão de Watts. Essas partículas chocam-se nos átomos da atmosféricos produzindo chuva de partículas secundárias, nas quais caem na Terra uma por cm² por minuto. Essas partículas são altamente penetrantes. Mas sem causar danos por serem secundárias.


O sistema de radiação por ondas de rádio se caracteriza pelo fato do sinal sob o aspecto de uma onda eletromagnética viajando através do espaço sem o auxílio de fios ou quaisquer outros dispositivos desde a sua fonte de origem (ou transmissão), até o seu ponto destino (recepção). Como é de se supor, o Espaço, isto é, o meio de propagação, é na maioria dos casos a atmosfera terrestre. Porém, o Cosmos também pode ser usado como meio de propagação como foi o caso do surgimento da Radioastronomia por Karl Jansky, considerado o “pai da Radioastronomia”.

As pesquisas de Jansky foram exploradas por um engenheiro de Chicago, Grot Reber. Mas a guerra interrompeu suas experiências. Então, em 1959, dois professores da Universidade de Cornell, Giuseppe Cocconi e Philip Morrison, elaboraram e aperfeiçoaram um projeto capaz de captar apelos interestelares e publicaram na revista científica inglesa Nature cálculos e teorias muito interessantes. Esse artigo foi correspondido por um jovem astrônomo chamado Frank Drake no qual estava convencido que o Universo era “povoado”. Os três se reuniram, e prepararam o projeto OZMA, do nome da princesa da fábula “O Mágico de Oz” (é por essa razão o título desse artigo “uma misteriosa que encanta” uma vez a Radioastronomia assim nos faz despertar).


Então, em 1960, às 4 horas da manhã, eles apontaram as antenas do radiotelescópio para uma estrela (Épsilon Eridani, cerca de 11 anos-luz de distância), e vibraram de alegria com o som captado sugerir um sinal inteligente. Mas, como diz o adágio “alegria de pobre dura pouco”, perceberam que o som era interferência de um avião que passava nas redondezas. É bem verdade que até o presente momento não temos sinais de rádio que sugerem serem “inteligentes”. Mas, com algumas certezas matemáticas, sabemos que pode sim haver esses sinais, e um dos segmentos da Radioastronomia é justamente “caça” um desses sinais. Para aqueles que não conhecem os sinais radioastronômicos oriundos do espaço sideral, convivo para escutar a gravação do saudoso mestre Polman, onde ele faz apresentar diversos sinais de radio-fontes (https://www.youtube.com/watch?v=9wH2xdHtAJI).

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